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ONGs criticam países ricos na luta contra a Aids

Da: “Terra Notìcias” maggio 2005

A Cruz Vermelha e outras entidades do gênero consideraram hoje “ultrajante” o fato de os países ricos não entregarem o dinheiro que prometeram ao Fundo Global de Combate à Aids, à Malária e à Tuberculose. Eles pediram ao G8 (grupos dos oito países mais ricos do mundo), que aprovem, na cúpula que acontece em junho na França, quotas fixas em seus orçamentos nacionais para financiar o fundo por vários anos.

“A situação está atingindo uma crise”, disse Massimo Barra, da Cruz Vermelha italiana, no primeiro dia da assembléia anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), que instituiu o fundo. “É ultrajante que no século 21 enfrentemos uma situação em que precisemos decidir quem vive e quem morre, porque não temos dinheiro suficiente para fazer o que precisamos”, disse Barra.

O fundo foi criado em 2001 com apoio do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e instalado formalmente na cúpula do G8 em Gênova, no mesmo ano. O objetivo é destinar dinheiro diretamente às vítimas das três doenças, que juntas matam cerca de 6 milhões de pessoas por ano.

As promessas iniciais eram de US$ 2 bilhões, mas apenas US$ 1,5 bilhão foi entregue. “Não há mais fundos no fundo”, disse a médica francesa Helene Rossert, que representa as ONGs dos países ricos na direção do fundo. Juntos com ativistas dos Estados Unidos, as ONGs estão lançando uma campanha para que os países ricos injetem dinheiro no fundo, que precisa de mais US$ 1,4 bilhão até outubro para cumprir sua tarefa.

Na semana passada, o Congresso norte-americano aprovou uma lei que destina US$ 15 bilhões ao longo de cinco anos para combater a Aids em todo o planeta, uma medida elogiada por Barra. Mas a maior parte desse dinheiro irá para programas bilaterais. O Fundo Global receberá no máximo US$ 1 bilhão por ano, desde que os outros doadores apresentem o dobro desse valor.

Os primeiros alvos da campanha de doações são os ministros da Saúde que participam da reunião da OMS, tanto dos países ricos quanto dos pobres. Com as contribuições iniciais, o Fundo já oferece tratamento contra a tuberculose a 2 milhões de pessoas e proteção contra a malária a 30 milhões de famílias africanas. Esses programas também devem oferecer tratamento médico a 500 mil portadores do vírus HIV, além de apoio a outro meio milhão de órfãos da Aids.

Mas ativistas dizem que isso é só o começo de um esforço prolongado que deve ser apoiado pelos países ricos, os quais, segundo um comunicado emitido por eles, “se recusam teimosamente a reunir os recursos que são desesperadamente necessários”.

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